Inteligência artificial derrota humanos no pôquer em primeiro dia de torneio histórico

12 de janeiro de 2017 Comentário(s)
Inteligência artificial derrota humanos no pôquer em primeiro dia de torneio histórico
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Hoje é um dia que vai entrar para a história da computação. O bot Libratus conseguiu vencer os humanos num torneio de pôquer coletando 81,716 dólares contra 7.228 dos humanos participantes do Brains vs. AI em seu primeiro dia de competição.

Entenda o torneio

O torneio de pôquer Brains vs. AI é uma competição que dura 20 dias no Rivers Casino de Pittsburgh, na Pensilvânia, no qual quatro dos maiores jogadores profissionais do mundo — Jason Les, Dong Kim, Daniel McAulay e Jimmy Chou — vão coletivamente jogar 120 mil mãos em partidas de 1 contra 1 e competir pelo prêmio total de 200 mil dólares contra uma inteligência artificial.

As partidas de pôquer são do tipo Texas Hold’em sem limites e transmitidas ao vivo pelo serviço de streaming Twitch. O objetivo principal do torneio é testar a eficiência da IA, que neste ano se chama Libratus e foi construída pela Universidade Carnegie Mellon, uma das mais renomadas quando o assunto é Inteligência Artificial.

Em 2015, este mesmo torneio apresentou predecessor bot Claudico, que acabou perdendo para os humanos após 80 mil mãos jogadas e mostrou que precisava avançar muito para entrar nos livros de História como quando o computador Deep Blue da IBM venceu  a lenda Garry Kasparov no xadrez.

Será que o fatídico momento chegou?

A diferença do pôquer para o xadrez é a complexidade de permutações que uma mão pode ter.  O jogo tem 10 de poder em 160 conjuntos de informação e 10 de poder para 165 nós na árvore de jogo. Isso significa que há mais permutações possíveis numa mão de pôquer do que átomos no universo.

Portanto, uma inteligência artificial vencedora neste tipo de jogo que usa muitas informações incompletas significa um salto gigantesco para a solução de problemas contra hackers ou até mesmo na busca pela cura do câncer, como afirma o professor Tuoas Sandholm, que criou o sistema Libratus junto do estudante PhD Noam Brown.

No entanto, ainda restam 19 dias e os profissionais com certeza já identificaram alguns padrões de estratégia para revidar nos jogos subsequentes:

A coisa que mais me impressionou é como a manobra de pós-flop foi imprevisível e aleatória. (A Libratus) também parece entender alguma estratégias avançadas que muitos jogadores de alto nível implementam em seu próprio jogo. Nós perdemos a batalha hoje, mas estamos olhando como fazer para contra-atacar amanhã — disse o jogador profissional Jimmy Chou

Assustadoramente inteligente

O professor Sam Ganzfried, que ajudou a desenvolver os primeiros bots de pôquer e leciona na universidade Florida International, disse que o Libratus parece resolver dois problemas-chave de fraquezas que os humanos exploraram no passado.

A primeira seria a remoção de cartas, pois agora o sistema leva em consideração a sua própria mão ao decidir blefar, permitindo escolher oportunidades mais altas em mãos fracas. A segunda, fora do âmbito dos problemas da árvore do jogo, é que a Libratus já não se aproxima mais do tamanho das apostas dos adversários como fazia o Claudico, que usava uma técnica para deixar o jogo mais simples, no entanto acabava por fazer uma má avaliação do tamanho dos potes.

Utilizando uma técnica chamada “resolução de fim de jogo aninhada”, o Libratus consegue ser muito superior aos bots antecessores ao calcular novas estratégias em tempo real para responder às ações humanas com maior precisão e determinando estratégias distintas para cada situação.

Se ao término do torneio a Libratus vencer os humanos, as pesquisas em inteligência artificial terão alcançado um marco tão importante, senão maior, do que os triunfos do Deep Blue ou do AlphaGo no ano passado. Agora nos resta acompanhar como a Libratus se sairá nos próximos dias!

Fonte(s): The Verge

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Fundador e ex editor-chefe dos produtos TecMundo e Mega Curioso, trabalho com internet desde 2003. Sou extremamente apaixonado por tecnologia, produtos eletrônicos e video games, acompanhando e participando ativamente deste mercado. Co-fundador do Techroad, acredito que um conteúdo excelente pode se transformar em conhecimento e enriquecer culturalmente toda a sociedade.